6.4.10

Esquecido de Deus
Felipe Zero

A vida lhe ensinou
Não adianta se mostrar sempre forte
Não existe a tal sorte
No fundo do poço, onde sempre se encontrou

O tempo lhe mostrou
A esperança é uma ferida aberta
Desilusão é bem mais certa
Às sombras do mundo onde nada jamais mudou

Quando tentou se reerguer
Claro de se dizer
Sufocado no descaso que não pára
Viu que era um nada
Uma alma na chama
Consumida no ar

Quando pensou no que fazer
Claro de se dizer
Entendeu que o tempo nunca esperava
Não é conto de fadas
É uma caminhada
Descalço pelas pedras do pesar

O choro lhe cegou
Ao ver todo dia, tudo que não pode alcançar
Difícil acreditar
No fundo do poço, quantas vezes já se afogou

Uma noite ele surtou
Desesperado em delírio, pensou no suicídio, maldição
Desistiu da salvação
Às sombras do mundo onde a luz nunca chegou

Quando tentou se reerguer
Claro de se dizer
Um grito mudo que ninguém ouviu
Viu que era um nada
Uma alma na chama
Consumida no ar

Quando pensou no que fazer
Claro de se dizer
Não tinha solução pro que passava
Não há conto de fada
O caminho é lama
Que fez do sofrimento o seu lar

Então olhou pros céus
Se achando esquecido de Deus
Pensou no que falar
Abriu seu coração
Na dor do seu olhar, gritou
"Será, será que existe alguem ai pra me salvar?"

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4.4.10

Usando as palavras de outra pessoa nesse domingo de páscoa chuvoso aqui no Rio de Janeiro...

Cada Poça Dessa Rua Tem Um Pouco de Minhas Lágrimas
Lucas Silveira

Você vai dizer
Eu não fiz por mal
Eu não quis te magoar
E eu vou dizer
Que seria ideal
Fugir, te abandonar
Pra sempre, pra sempre

Começa a chover
E a lágrima vai se misturar
Com a água que cai do céu
E ao anoitecer
Em vão eu tento encontrar
O que de mim você levou
Pra sempre, pra sempre

Perdoa por eu não poder te perdoar
Dói muito mais em mim não ter a quem amar
Ecoa em mim o silêncio dessa solidão
Pudera eu viver sem coração
Viver sem você
Sem você
Viver sem você

Em cada poça dessa rua você vai me ver
Em cada gota dessa chuva você vai sentir minhas lágrimas
Minhas lágrimas
E a cada dia da sua vida você vai chorar
Lágrimas sofridas que não vão somar um décimo do que eu sofri
O quanto eu sofri

Eu pude ver o sol desaparecer do seu rosto, dos seus olhos, da sua vida.
Desaparecer
Desaparecer
Desaparecer

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31.3.10

De Tantas Coisas Que Podia Levar
Felipe Zero

De tantas coisas que podia levar...
Que tivesse levado as cartas que hoje tem palavras tão incompreensíveis.
Que secasse minhas lágrimas e assim me ajudasse a dar sozinho um ponto final.
Carregasse as discussões, as frases agressivas lançadas por nós.
Que queimasse as fotos, as dores, as memórias, que levasse meu tempo, minha raiva, meu carinho, meu telhado, minha voz, minha paz.
Que deixasse a saudade me perseguindo.
Que fizesse qualquer coisa. Mas no final das contas me partiu em pedaços.
Por que de tudo que eu permitiria que fosse tirado de mim quando chegamos ao nosso fim.
De tantas coisas que podia levar...
Você levou de mim a crença no amor.

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22.3.10

Sem título
Felipe Zero

Dirás que de nada sabe da minha vida.
Gritarás aos 4 cantos do mundo como se desfez e refez.
Mentirás pra ti ao tentar ignorar meu reflexo no espelho.
Por caminhos que nunca mudaram, senti novamente o peso de carregar o mundo sozinho, tropeçando por outro caminho.
Será que me deste o devido valor?
A devida atenção?
O devido esforço?
Seria querer demais querer mais?
Acredito sim, que sei dos meus erros... Mas também sei dos meus acertos.
Estes nunca citados, nunca postos na balança.
Sofreria e sorriria para sempre do teu lado.
Brincaria com nossas futuras rugas e com o brilho imutável dos nossos olhos.
Será que não perdeste também um diamante posto em tuas mãos?
Minhas ocasionais lágrimas evidenciam em minha alma os meus enganos.
Talvez, quando deixar essa tempestade se dissipar, as tuas também te ajudem a evidenciar os teus.
Enquanto eu, arrebatado por um amor avassalador, espero da janela o dia que chegarás e sem dizer uma palavra sequer, mostrarás que me entende, mesmo sendo eu incompreensível.
Aceitarás o inaceitável, e eu também.
Entenderás que o amor é indestrutível e admitirás a fragilidade de todo o resto.
Saberás o peso de carregar pelo caminho o mundo nas costas.

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18.11.09

Uma Madrugada
Felipe Zero

É noite de Lua cheia.
Lua que ilumina os amores, e os telhados quentes de zinco lembram do calor do dia.
Brincando de se esconder entre as nuvens, olho pra ela, admirado... Imaginando se da janela de algum lugar o meu amor também a observa.
Essa brisa quente parece fazer a gente sofrer mais de saudade. Vem pra me fazer lembrar do sopro dela, exaltada, depois de um beijo. E o perfume das pétalas desse jardim me trazem o cheio que você deixou no nosso travesseiro.
Deixa a madrugada ser calada... Vai ver ela prefere assim.
Deixa eu ficar calado... De longe, converso contigo lembrando da conversa dos nossos olhos.
Palavras são recursos de quem não sabe falar de amor.
E as lágrimas a dor de quem não sabe sofrer de saudade.

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3.11.09

Diamante na água
Felipe Zero

Sem perceber sempre assumi saber demais. Robótico. Inflexivel.
E enquanto tentava tirar a areia que me incomodava as engrenagens, derrubei meu diamante na água.
De cabeça submersa e olhos turvos, procuro minha pedrinha brilhante entre corais.
Um diamante invisível, como um sonho pedido.
Me falta ar e me sobra desespero.
E as certezas tão convincentes se mostram passageiras, mais finas que as nuvens.
Meus pés tão pesados, covardes andantes, se assustaram e seguiram pra longe dali.
Medo de admitir que a vontade do meu coração era se tornar âncora. E ir pro fundo, profundo, ao lado da minha pedrinha.
E aqueles pés, seguindo sem rumo, deram voltas e voltas e, numa reviravolta, param frente aos portões de um jardim. Um jardim mágico. Um jardim tão belo que parece até impossível de se acreditar. Um jardim já conhecido.
Um lugar onde antes, depois de perdido por muito tempo, eu havia encontrado uma flor. A mais bela das flores.
Uma flor que não ligou pras minhas marcas de ferrugens abaixo dos olhos, nem pro ranger metálico do meu peito ranzinza.
De certa forma, ela fazia com que lógica nenhuma funcionasse em mim. Eu sentia e queria sentir mais. Felicidade? Amor? Pensei ter arrancado esses pedaços de mim, numa tentativa vã de evitar outro curto circuito. Mas meus joelhos dobravam, e aquela flor me atraía como um imã.
Ela deu em minhas mãos seu coração. Um diamante.
E eu disse que voltaria. E voltei.
E criamos pra nós um outro coração, um coração de um tamanho que não cessa.
E eu disse que voltaria, E voltei.
E cada vez mais o coração da flor se tornava meu. E eu me tornei responsável por ele.
E eu disse que voltaria, E voltei.
E deixava nosso amor cada vez mais evidente. Sem palavras. Inebriado pelo perfume suave de suas pétalas.
E eu disse que voltaria. E não voltei.
Resultado da revolta de uma mente contra meu coração que agora era viciado nela.
A flor sentia falta, e na minha lógica ineficaz, a tristeza que lhe doía era minha culpa. E eu não poderia ser a causa de seus olhos solitários e marejados quando não estava por perto.
E sentindo seu coração perdido, a flor chorou.
E chorou chuva.
Eu, máquina estúpida, insolente, depois de mostrar minha inabilidade de carregar o mais belo amor, me perdi no tempo.
Andei debaixo de cada lágrima até parar nos portões fechados do nosso jardim, do jardim da flor.
E vou esperar os portões se abrirem, pra entregar pra flor meu coração no lugar da pedrinha que perdi. E vou revirar o oceano. E vou reverter os relógios. E vou parar a chuva. E vou reencontrar as cores.

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29.9.09

Incompleto
Felipe Zero

A gente tenta ser inteiro.
Fazemos de tudo pra acreditar que temos um lugar reservado no mundo, um lugar cativo no coração de alguém. Brincamos com as nossas ilusões num jogo cretino de faz de contas, que nos diz sempre que as portas vão se abrir, que as cortinas não estão fechadas, que lá fora não vai chover.
Como um mágico brincando em frente aos nossos olhos, nos enganamos profundamente, pelo menos o suficiente pra acreditar que um nó na garganta sara quando para de doer. Que as lágrimas são pra lavar a alma. As sombras vão se difundir no ar em um piscar.
Mas o sono não vem.
E vagar de um lado pro outro, dose atrás de dose buscando o conforto do travesseiro não faz bem. E a rosa de Hiroshima foi a consequência de laços partidos. Quebrados a força quando, instáveis, sonhavam serem completos.
O tempo era mais simples quando somente areia escorria pela ampulheta, voltando ao seu estado inicial num simples revés de posição. Mas eu, ali dentro, somente perco minha forma e minha sensatez, acreditando que posso voltar a ser como era, num modesto giro de olhos fechados.
Mas esse coração mutante não deixa. Não deixa as coisas no seu lugar de origem, nem deixa o sofrimento fora do vidro, mas aqui comigo, crescendo e se diluindo. Agora não somos um, mas dividimos o mesmo espaço, nos misturando cada vez mais. Perdendo a solidez, me tornando líquido.
Cada vez que o tempo passa. Cada vez que me desfaço e me refaço. Cada vez que não posso ser quem era. E a chuva nunca pareceu tão fria. E o doce nunca tão amargo. E eu nunca tão diferente. Incompleto.

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10.2.09

Alguém
Felipe Zero

Alguém que não precise dizer nada
Que sente ao meu lado, pra ver a luz das estrelas
Pra rir das besteiras
Um colo que me acalme e diga que está tudo bem

Alguém que goste de conto de fada
De um jeito solidário, analisando as novelas
Pra sorrir e choradeiras
Olhos me vendo na multidão e a mais ninguém

Alguém pra analisar meus sonhos
E de forma única, me mostre o que nunca pensei
Que apague o que incendiei
E assopre as feridas que ardem ainda mais

Alguém pra dormir em filmes
E fazer caretas e histórias exageradas
Pra lembrar acordado e ajudar das mancadas
Pra olhar dormindo e nunca achar demais

Alguém que saiba que pode contar comigo
Consciente das loucuras que faço
Te ternos abraços de calor de paixão
De quem serei rede, nunca desilusão

Alguém para admirar
Alguém para conversar
Alguém de verdade
Alguém de saudade
Alguém

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22.12.08

Aí, de repente, parece que eu esqueço de tudo.
Esqueço do ontem, esqueço do que preciso, do que importa.
Esqueço de todo mundo e foda-se. É foda-se mesmo. Literatura para maiores de 18.
Acordo querendo dormir. Quero dormir e não consigo. Gasto toda minha paciência lutando com minha consciência. Vivo o lado hardcore da minha vida. O lado escuro da minha alma. Provavelmente se essa alma pudesse aparecer numa foto, pareceria com Keith Richards, pelo menos uns dez mil maços depois, dez mil papelotes durante. O próprio Diabo pediria licença antes de entrar na minha casa. Limparia os pés na porta e não olharia nos meus olhos. Me trataria com "Sim senhor, não senhor" e não me daria as costas.
Então fecham-se as cortinas. A música para de tocar. Quando abro os olhos, lembro de tudo.
Lembro e penso: "-O que eu estou fazendo?".
Entro nos eixos, me redimo. Peço para não tentar ser compreendido. Não pelos outros. Quanto a mim, não preciso me entender... Já sei lidar comigo. Nas minhas ausências de mim, não faz mal que eu me machuque. Mas o meu lado bom, quando vigente, tenta salvar os outros.
Será que sobrevivo sem uma das partes de mim? Será que alguém sobrevive com as duas partes de mim?
Pra quem vive na Terra, o Céu é tão próximo quanto o Inferno.
Talvez só pra mim.

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16.11.08

Universos Particulares
Felipe Zero

Começo dizendo que, independente das convenções, independente de todo conhecimento humano, de toda a ciência e os fatos que essa ciência nos trouxe, o ser humano ainda se deslumbra com o desconhecido.
Gostamos de olhar pro céu e imaginar o infinito. Gostamos de imaginar o que existe no berço dos oceanos. Nos perdemos nas possibilidades infinitas das suposições. Existe um Deus? Existe vida fora da terra? Existe um sentido pra vida? Existe Céu? Inferno?

Tendo dito isso, vou tentar me ater a sensação que temos certas vezes, com certas pessoas. Cada um de nós, tão amplos e complexos no nosso Universo Particular, somos a dúvida, a interrogação.
Não fui claro? Pois bem, vou explicar...
Nós nos deslumbramos pelo desconhecido Universo dentro de outras pessoas. Das histórias que não vivemos, dos planos que não temos, das lutas superadas, e das sensações que nos identificamos, mas que sentimos de forma muito única.

Cada Universo Ambulante se mostra de uma maneira. Eu prefiro ser o Big Bang, a explosão que ofusca, confunde, e não se conhece. Gosto de viajar pelo desconhecido... De ver o que nunca vi, e de não entender as pessoas que não querem ser entendidas. De ser a interrogação.

Todos nós gostamos de perceber, eventualmente, que estamos deslumbrados por outro Universo. Então, vamos abrir as portas, esquecer da ciência e passar pra arte. Vamos desconhecer e nos encantarmos. Vamos ser os mais belos universos, para nós e para os outros.

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15.10.08

Balançando os pés
Felipe Zero

Crianças balançam os pés.
Quando estão no colo, quando estão no balanço, gangorra, sentados num muro. Crianças balançam os pés.
Deve ter a ver com a sensação de liberdade, de frio na barriga, sabendo que está fora do chão. Crianças sorriem, brincam, aproveitam e balançam os pés.
Idosos balançam os pés. Sim, não se assuste! Idosos balançam os pés. Observe um velhinho, numa cadeira alta demais, mesmo que a espera de uma coisa qualquer. Você verá alguém com uma expressão singela de quem lembra de uma sensação boa de tempos atrás.
Quando parei de balançar os pés?
Vejo que deixei os parques da praça pra trás. Que já não tenho motivos pra ficar sentado no muro... Será que eu tinha motivo pra ficar sentado lá em primeiro lugar? Meus pés dentro das meias, dentro dos sapatos, presos por cadarços escondidos pela boca da calça sentem o peso de uma gravidade que eu nem sabia que existia. E minha mente, dentro do meu crânio, dentro da minha pele, embaixo do suor e presa pelo meu medo mede a minha altura do chão. Antes minha mente estava sempre nas nuvens. Hoje as nuvens parecem estar tão no alto, e eu tão perto do concreto, do asfalto.
Quando foi que encolhi?
Velhinhos com crianças no colo, vendo desenhos multicoloridos num tubo de raios catódicos, sorrindo um para o outro, e rindo para todo o mundo de uma bobagem (?) qualquer... Enquanto eu, parado, obtuso, coço a cabeça tentando achar a lógica daqueles sorrisos.
Quando foi que entristeci?
Aqueles sorrisos não tem lógica. Não precisam ter. E aqueles pensamentos estão voando baixo se ficarem somente nas nuvens. As crianças não sabem disso, e não precisam saber. Os velhos sabem disso. Não se importam em entender.
Livres. Sorrindo. Despreocupados. Despretenciosos. Desprovidos de maldade, de intenções, de máscaras. Uns nunca usaram, outros se cansaram delas. Uns nunca se preocuparam, outros não se preocupam mais.
Quero voltar a ser criança.
Quero ser capaz de abrir mão como um velho.
Quero voltar a balançar os pés.

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8.10.08

Mentiras Sinceras
Felipe Zero

A força por trás das máscaras
As intenções escondidas nas palavras
Na manipulação dos sentimentos
Nos sorrisos escondendo sofrimentos

Na coragem de não ser você mesmo
Ser puro egocentro do desejo
A única verdade é a própria
O único universo, única história

Nada importa, ninguém importa
O silêncio das verdades sufoca
Transforma sangue em petróleo
Qualquer novela em história

Jogo injusto para quem não conhece
Sem regras, sem diretrizes, sem juízes
Mentiras sinceras são a moeda de troca
Nos caminhos sujos de intenções mundanas

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22.9.08

Pesadelos
Felipe Zero

Hoje acordei desejando não ser eu.
Querendo ter uma cabeça saudável, livre de pensamentos destrutivos. Livre do meu passado. Livre dos meus medos.
Mas não posso. Não posso. Eu faria se eu pudesse, mas não posso desenhar o caminho de nenhuma outra vida senão a minha.
E eu que sempre odiei saudosismo. Sempre acreditei que qualquer um pode e deve se reerguer e remontar seu futuro. É fácil quando não é com a gente.
Trouxe tanto do que preciso para preencher minha vida pra perto. Tenho tudo tão vivo, mas mesmo assim sinto um pouco vazio. Me sinto morno.
E no espelho, vejo a pele cinza abaixo dos meus olhos, numa expressão tão cansada, tão triste, tão egoísta.
Queria tanto encontrar meu lugar, um lugar onde as fotos me trouxessem sorrisos, o silêncio me trouxesse serenidade, um lugar onde a cama não me trouxesse pesadelos.

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21.9.08

Maria
Felipe Zero

Acorda Maria!
O mundo passando e você aí, parada numa reticência...
Acorda!
Do que adianta semi-nua, semi-inteligente, semi-gente, semi-feliz?
O que mais você quer Maria?
Quer sorte de não ser mais uma?
Não faz parte da tua sina Maria. Faz parte de você.
Faz parte de você o medo de não pertencer. De não ser aceita. Medo de não ser mais uma, de ser indivíduo, e não coletivo. Ser diferente.
Ri sem entender. Sonha em querer ser.
Faz teu mundo Maria. veja outros mundos, se agarrando em outros cometas.
Não adianta tentar explicar, não é?
Maria vai com as outras.
Maria e todas outras.

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20.9.08

Quem é a menina?
Felipe Zero

Quem é essa menina que passa?
Tanta felicidade a sua frente, tanta dor a sua volta.
Quem é essa menina?
Ela trouxe a chuva pra amenizar o calor, justamente quando eu precisava do Sol.
E foi um dilúvio. Um rio afogando esperanças.
Quem é essa menina? Minha sentença?
Deixou um vermelho de choro, de raiva.
Deixou que o silêncio batesse mais forte que a palavra, que o grito.
Faz acreditar que amanhã pode ser mais bonito.
Quem?
Me fez temer o único lugar de onde não posso fugir.
Não dá pra fugir do que penso, do que lembro.
Quem ela é eu já não sei.
Só sei que não sei quem sou também.

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Recomeçando do Zero
Felipe Zero

Hora de um recomeço.
Hora de tirar as cinzas choradas por um soldado que já não sou.
Hora de enfrentar leões, dragões, esquecer a estória e ser a história.
Momento de definir o indefinível, ser novamente a indiscrição.
Ser a vírgula comprida que deixa o pensamento aflorar, a dúvida em perguntar.
Ser quem sou, independente de quem fui ou quem serei.

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26.9.07

Bondade é pra masoquista

Desisto.
Desisto mesmo.
Desisto de tentar me manter uma pessoa que deseja o bem até pra quem me faz mal.
Desisto de querer acertar minha vida sem prejudicar ninguém.
Desisto de tentar perdoar, ou de tentar querer perdoar.
Não julgue para não ser julgado... Mas eu sou o Deus do meu universo particular. Aqui dentro, eu indico as ordens, as leis.
E quero me manter vivo nesse mundo de caos. Um mundo invertido onde ser bom não leva a nada.
Já que a vida se mostra um rio de merda, vamos parar de nadar contra a corrente e passar mal ao engolir essa água poluída de corrupção, descrença, descaso, desamor.
Vai ser olho por olhos... Dente por boca.
Vai ser tomar veneno e respirar gás mostarda... Por que amor e bondade só está dando errado.
Então o ideal vai ser colocar uma mira na cabeça de todo mundo que se conhece, e simplesmente esperar que não se precise apertar o gatilho.

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18.8.07

F. Zero pensa:
Felipe Zero

O quão bem conseguimos ver o que acontecerá no nosso futuro?
O que dá mais medo? A descrença no destino, o que nos leva a ter que construir um castelo para o nosso futuro com as nossas próprias mãos, usando suor e lágrimas como argamassa, ou o oposto, a crença no destino, mas sem saber que destino é esse... Sem saber se o tal destino virá mesmo enquanto ficamos sentados observando a vida passar.
E quando se sabe que o futuro reserva algo bom, mas o presente é tão gris que traz uma tristeza profunda e, estranhamente, tira as nossas esperanças e perseverança.
A muito tempo abri mão dos "sagrados" rituais da igreja, mas despido todos os misticismos e crenças fúteis, ignorando toda sacracidade envolta nessa névoa inexplicável, acredito que a resposta para a ansiedade e medo é simplesmente a união de duas letras. Fé.

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12.2.07

CO2, efeito estufa, Juros, roubos, taxa de intercâmbio, assaltos, assasinatos, abuso, ataques, homem bomba, drogas, governo, leis, trapaças, armas biológicas, armas nucleares, militarismo, guerras, submetralhadoras, traficantes, suicidas, terroristas, capitalistas, neo nazistas, socialistas, facistas.
Acho melhor voltarmos pras cavernas... Talvez até pras árvores.

Jesus Christ Pose
Soundgarden

And you stare at me
In your Jesus Christ pose
Arms held out
Like you've been carrying a load
And you swear to me
You don't want to be my slave
But you're staring at me
Like I need to be saved
In your Jesus Christ pose
Arms held out
In your Jesus Christ pose
Thorns and shroud
Like it's the coming of the Lord
And I swear to you
That I would never feed you pain
But you're staring at me
Like I'm driving the nails
In your Jesus Christ pose
And you stare at me
In your Jesus Christ pose
Arms held out like it's
The coming of the Lord
And would it pay you more to walk on water
Than to wear a crown of thorns
It wouldn't pain me more to bury you rich
Than to bury you poor
In your Jesus Christ pose

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10.2.07

Acid Rain
Silverchair

Falls down slowly,
Seeps into the ground,
Isn't just flowing water,
Won't stop until your brain is found.

Seeps into your little green eyes,
'til it meets your brain,
Runnin' through all of your brain cells,
'til it drives you insane.

Acid...Acid Rain

Falls down slowly,
Seeps into your mind,
Falls down slowly.

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